Marechal Rondon .

 

05 de Maio - DIA DAS COMUNICAÇÕES

Em homenagem ao Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, Patrono das Comunicações no Brasil, o dia 5 de maio, dia de seu nascimento, é o Dia das Comunicações. Lembremos então, neste dia o trabalho incansável e heróico desse brasileiro, bandeirante moderno, construtor da união e da paz entre os filhos do Brasil.

CÂNDIDO MARIANO DA SILVA RONDON
PATRONO DAS COMUNICAÇÕES NO BRASIL

Cândido Mariano da Silva Rondon nasceu a 5 de maio de 1865, em Mimoso, Mato Grosso. De origem indígena (Pelo lado materno, descendia de índios terena e bororó, e de índios guaná pelo lado paterno), Rondon tornou-se órfão precocemente, tendo sido criado pelo avô e depois por um tio. Quando adolescente, incluiu Rondon no seu nome de batismo, Cândido Mariano da Silva, para não ser confundido com um homônimo de má reputação.

Em 1881, aos 16 anos, formado professor primário, transferiu-se para o Rio de Janeiro para ingressar na Escola Militar. Depois de vencer dificuldades de saúde e outras, saiu classificado em 1º lugar da Escola Superior de Guerra com o título de Engenheiro Militar e o diploma de bacharel em Matemática e Ciências Físicas e Naturais. Foi então servir na Comissão Construtora da Linha Telegráfica de Cuiabá ao Araguaia, e assim iniciou suas atividades de sertanista. Partidário das idéias positivistas, participou dos movimentos abolicionista e republicano.

Em 1º de fevereiro de 1892, casou-se com Francisca Xavier, com quem teve sete filhos, e foi nomeado chefe do Distrito Telegráfico de Mato Grosso. Rondon chefiaria, depois, a Comissão encarregada da construção da linha telegráfica de Cuiabá ao Araguaia (1897), a Comissão das linhas telegráficas do Estado do Mato Grosso ao Amazonas, mais tarde conhecida e famosa como “Comissão Rondon” (1907), a qual faria a ligação do então remoto Território do Acre ao circuito telegráfico nacional.

A construção de linhas telegráficas exigia trabalho penoso e abnegado, desbastando a mata virgem, fazendo postes com as árvores derrubadas, explorando regiões desconhecidas, fazendo medições e cálculos, limpando o terreno, transportando com enorme esforço diversos materiais e equipamentos, e sobretudo enfrentando um clima adverso, doenças tropicais, serpentes e insetos perigosos, e ataques dos índios que não toleravam o invasor das suas terras. No tratamento inteligente e pacífico com que enfrentou os indígenas, Rondon celebrizou-se ao mesmo tempo por sua coragem e humanidade.

Rondon cumpriu essa missão abrindo caminhos, desbravando terras, lançando linhas telegráficas, fazendo mapeamentos e estabelecendo relações com os índios. Manteve contato com muitas tribos, entre elas os bororo, nhambiquara, urupá, jaru, karipuna, ariqueme, boca negra, pacaás novo, macuporé, guaraya, macurape. Em 1906 entregou uma linha telegráfica entre Cuiabá e Corumbá, alcançando as fronteiras de Paraguai e Bolívia.

De 1900 a 1906, com o estudo de 4.100 quilômetros de rotas, foram construídos 1.746 km de linhas telegráficas. Em 1914, pela Expedição Científica Roosevelt-Rondon (com a participação de Theodore Roosevelt, ex-presidente dos Estados Unidos) vastas regiões foram desbravadas na Amazônia. Rondon retornou em seguida à selva, reassumindo a chefia da Linha Telegráfica de Cuiabá ao Madeira, e nos oito meses seguintes foram construídos 372.235 metros de linha, com uma média mensal de 46 km.

Seus trabalhos desenvolveram-se de 1907 a 1915. Nesta época estava sendo construída a ferrovia Madeira-Mamoré. A chamada Comissão Rondon deveria construir uma linha telegráfica de Cuiabá a Santo Antonio do Madeira.

Em 1910 criou o Serviço de Proteção ao Índio (SPI). Obteve a demarcação de terras de vários povos, entre eles os Bororo, Terena e Ofayé. Em 1912, Rondon foi promovido ao posto de coronel, depois de ter pacificado os índios das tribos caingangue e nhambiquara.

Em 1913, ganhou medalha de ouro "por trinta anos de bons serviços" prestados ao Exército e ao Brasil. No mesmo ano acompanhou o ex-presidente americano Theodore Roosevelt na sua expedição ao Amazonas. Em setembro de 1913, Rondon foi atingido por uma flecha envenenada dos índios nhambiquaras.

Salvo pela bandoleira de couro de sua espingarda, ordenou a seus comandados que não reagissem, demonstrando seu lema: "Morrer, se preciso for. Matar, nunca". Em 1914 a Sociedade Geográfica de Nova York conferiu a Rondon o Prêmio Livingstone, e determinou a inclusão de seu nome em uma placa de ouro, ao lado de outros grandes exploradores.

Em 1914, com a Comissão Rondon, construiu 372 km de linhas e mais cinco estações telegráficas: Pimenta Bueno, Presidente Hermes, Presidente Pena (depois Vila de Rondônia e atual Ji Paraná), Jaru e Ariquemes, na área do atual estado de Rondônia. Em 1º de janeiro de 1915 conclui sua missão com a inauguração da estação telegráfica de Santo Antonio do Madeira.

De 1919 a 1924 foi diretor de engenharia do Exército. Entre 1927 e 30 inspecionou toda a fronteira brasileira desde a Guiana até a Argentina. Criada em 1927 a Inspeção de Fronteiras, foi entregue a Rondon a sua chefia e organização. Na inspeção e levantamento das fronteiras com a Venezuela, Colômbia e Guianas Francesa e Inglesa, Rondon utilizou todos os meios de transporte. Uma viagem ininterrupta de 257 dias, na primeira fase dos trabalhos, comprova o seu devotamento ao dever, seu amor à pátria e também seu vigor físico e moral. Foram vencidos 10.702 km por via marítima e fluvial; 1.801 km a cavalo; 2.917 km em automóvel; 1.896 km em estrada de ferro, perfazendo um total de 17.316 quilômetros. Rondon tinha então 62 anos.

Após a revolução de 1930, Getúlio Vargas, o novo presidente, hostilizou Rondon que, para evitar perseguições ao Serviço de Proteção aos Índios, deixou sua direção.

Em 1934, Rondon foi convocado pelo Presidente da República para presidir a Comissão Mista Peru-Colômbia. Esses dois países estavam em dissídio pela posse da região de Letícia, e durante quatro anos (dos 69 aos 72 anos de idade) o infatigável Rondon, apesar de ter grave doença numa vista, dirigiu os trabalhos até a total confraternização de ambas as nações. Em 1938, Rondon promoveu a paz entre a Colômbia e o Peru que disputavam o território de Letícia. No ano seguinte foi nomeado presidente do Conselho Nacional de Proteção ao Índio. Recusando então receber a subvenção governamental que lhe era devida por sua missão no estrangeiro, ofereceu e doou toda a quantia para a construção de uma escola na sua cidade natal, Mimoso.

Em 1952 Rondon propôs a fundação do Parque Indígena do Xingu. No ano seguinte inaugurou o Museu Nacional do Índio. Em 5 de maio de 1955, data de seu aniversário de 90 anos, recebeu o título de Marechal do Exército Brasileiro concedido pelo Congresso Nacional. Em 17 de fevereiro de 1956, o Território Federal do Guaporé teve seu nome alterado para Território Federal de Rondônia, em 1981 elevado a estado.

Em 1957 foi indicado para o prêmio Nobel da Paz, pelo Explorer´s Club de Nova York.

Rondon contribuiu largamente para o conhecimento etnológico, antropológico, lingüistico, geológico, botânico e zoológico do interior do Brasil, e ajudou a numerosos cientistas nas suas pesquisas. A Comissão Rondon encaminhou ao Museu Nacional 3.380 artefatos indígenas (obtidos mediante trocas ou doação), 8.837 espécies de plantas, 5.676 espécimes animais, e descobriu e assinalou minas e jazidas de ferro, manganês, e muito mais.

Falecido em 19 de janeiro de 1958, com 93 anos de idade, as referências da imprensa e dos estudiosos o reconheceram merecedor de diversos honrosos títulos, tais como Protetor dos Índios, Humanista e Pacificador, Civilizador do Sertão, o Apóstolo, e assim por diante. Como homenagem do Governo do Brasil, em 1959 o nome do então Território de Guaporé mudou para o de Rondônia. Um escritor gaúcho disse a respeito dele: “O que me fascina é o seu espírito, o seu princípio de amor, a sua violência de amor”. Seu nome figura entre outros de grandes exploradores, como aquele que mais se avantajou em terras tropicais.

O Marechal Rondon é o patrono das Comunicações no Brasil. O Exército brasileiro fez dele, em 1963, o patrono da arma de Comunicações. O Dia das Comunicações, 5 de maio, é o dia do seu nascimento. Lembremos neste dia o trabalho incansável e heróico desse brasileiro, bandeirante moderno, construtor da união e da paz entre os filhos do Brasil.